ACADEMIA BRASILEIRA  DE
DIREITO PROCESSUAL CIVIL

MEIOS PROCESSUAIS PARA CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO QUE NÃO O TEM

 

Leonardo José Carneiro da Cunha

Mestre em Direito pela UFPE

Doutorando em Direito pela PUC/SP

Procurador do Estado de Pernambuco

Advogado

 

 

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Concessão ex officio do efeito suspensivo. 3. Concessão de efeito suspensivo a agravo de instrumento. 4. Agravo de instrumento para concessão de efeito suspensivo à apelação. 5. Ação cautear para obter efeito suspensivo à apelação. 6. Entendimento restritivo do STJ quanto à ação cautelar para obter efeito suspensivo à apelação. 7. Ação cautelar para obtenção de efeito suspensivo a recurso especial e a recurso extraordinário. 8. Mandado de segurança: ainda constitui meio para obtenção de efeito suspensivo a recurso que não o tem? 9. Conclusões. 10. Bibliografia.

1.       

1. Introdução

            Os recursos são dotados do efeito devolutivo, por meio do qual a matéria é transferida ao conhecimento de órgão hierarquicamente superior ou, dependendo do caso, é renovado o julgamento perante o mesmo órgão que proferiu a decisão recorrida. Enquanto todos os recursos detêm o chamado efeito devolutivo[1], alguns são dotados, ainda, do efeito suspensivo, mercê do qual se impede ou se adia a executoriedade do ato judicial combatido[2].

            Em razão do efeito suspensivo, a execução do julgado não se efetiva até que se julgue o recurso interposto. Em outras palavras, a interposição do recurso estende o efeito suspensivo até o seu julgamento pelo tribunal, não podendo, neste intervalo, surtir efeitos a decisão recorrida, nem ser executada provisoriamente. Havendo recurso com efeito suspensivo, não se possibilita a execução provisória do julgado.

            O efeito suspensivo não decorre da interposição do recurso. Na verdade, o efeito suspensivo resulta da mera recorribilidade do ato[3]. Significa que, havendo recurso previsto em lei, com efeito suspensivo, para aquele tipo de ato judicial, este, quando proferido, já é lançado aos autos com sua executoriedade adiada ou suspensa, perdurando essa suspensão até, pelo menos, o escoamento do prazo para interposição do recurso. Havendo recurso, a suspensividade é confirmada, estendendo-se até seu julgamento pelo tribunal. Não sendo interposto o recurso, opera-se o trânsito em julgado, passando-se, então, o ato judicial a produzir efeitos e a conter executoriedade.

            Essa é a razão pela qual alguns autores de nomeada entendem ser mais adequado o uso da expressão efeito obstativo, no lugar de efeito suspensivo. É que a expressão efeito suspensivo seria mais adequada para designar a situação em que se suspende algo que já estava fluindo. Quando há efeito suspensivo, não se suspende o que já vinha produzindo efeitos; o ato judicial já é emitido, em verdade, sem produzir efeitos[4].

            Assim, para fins ilustrativos, tome-se como exemplo uma sentença publicada no dia 10 de março. No dia 20 do mesmo mês, a parte interpõe apelação, vindo o juiz, no dia 30 de junho, a admitir a apelação, recebendo-a em ambos os efeitos, ou seja, tanto no efeito devolutivo como no suspensivo. Nesse caso, indaga-se: o efeito suspensivo produz-se a partir de que momento? Do dia 10 de março, do dia 20 de março ou do dia 30 de junho?

            Na verdade, e pelo que já se viu, a sentença, ao ser proferida, já está suspensa, não podendo ser executada: sua executoriedade está adiada, até o escoamento do prazo da apelação. Interposta esta, a suspensão é estendida até seu julgamento pelo tribunal. Não havendo a interposição da apelação, sobrevirá o trânsito em julgado, com a coisa julgada, a permitir a execução definitiva. Então, quando a lei prevê a possibilidade de recurso com efeito suspensivo, não se permite a execução provisória do julgado.

            Caso se entendesse que o efeito suspensivo decorreria da interposição do recurso ou do seu recebimento pelo juiz, poderia, no exemplo aventado, haver execução provisória entre o dia 10 de março e o dia 20 de março ou, ainda, entre o dia 10 de março e o dia 30 de junho. Só que tal tipo de execução não se permite, exatamente porque o efeito suspensivo não resulta da interposição do recurso nem do seu recebimento pelo juiz; decorre, isto sim, da simples recorribilidade do ato, ou seja, a tão só previsão de recurso com efeito suspensivo faz com que a decisão, uma vez proferida, seja lançada aos autos já suspensa, vindo essa suspensão a ser confirmada ou estendida com a interposição do recurso.

            No sistema processual brasileiro, a apelação está, via de regra, dotada de efeito suspensivo (CPC, art. 520, caput). Os embargos de declaração contêm, igualmente, o efeito suspensivo[5]. Já os embargos infringentes estão providos de efeito suspensivo, quando interpostos contra acórdão que julgar a ação rescisória[6]. De resto, os embargos infringentes têm os mesmos efeitos da apelação que os originou. Logo, se a apelação fora recebida no efeito suspensivo, os embargos infringentes desfrutarão, de igual modo, do efeito suspensivo. Caso, porém, a apelação não tenha efeito suspensivo, os embargos infringentes serão recebidos apenas no efeito devolutivo[7].

            Já se viu que a apelação é, via de regra, dotada de efeito suspensivo. Os casos previstos nos incisos do art. 520 do CPC determinam, contudo, as hipóteses em que a apelação estará desprovida do efeito suspensivo. De igual modo, a apelação interposta contra a sentença de interdição não contém efeito suspensivo (CPC, art. 1.184). A apelação interposta nas ações de despejo (qualquer que seja o fundamento), de consignação em pagamento de aluguel e demais encargos da locação, revisional de aluguel e renovatória de locação será, da mesma forma, recebida apenas no efeito devolutivo (Lei nº 8.245/91, art. 58, V). Na ação civil pública, a apelação também não detém efeito suspensivo (Lei nº 7.347/85, art. 14, a contrario sensu). Enfim, a regra é que a apelação contenha efeito suspensivo, salvo quando houver expressa determinação legal no sentido de afastar tal efeito, tal como sucede nas hipóteses ora indicadas e em muitas outras previstas em disposições da legislação extravagante.

            O agravo de instrumento (CPC, art. 497) e os recursos especial e extraordinário não dispõem, por outro lado, do referido efeito suspensivo (CPC, arts. 497 e 542, § 2º). Os embargos de divergência (CPC, art. 546) seguem a mesma regra dos recursos que os antecedem, quais sejam, os recursos especial e extraordinário, os quais não detêm efeito suspensivo (CPC, art. 542, § 2º). Logo, os embargos de divergência são desprovidos de efeito suspensivo, salvo se o acórdão embargado tiver dado provimento ao recurso extraordinário ou especial adrede interposto[8].

            A todos esses recursos que contêm apenas o efeito devolutivo pode ser agregado o efeito suspensivo, mediante determinação judicial. Vários são os meios destinados à obtenção do efeito suspensivo a recurso que dele é desprovido.

            Eis o objeto do presente texto: demonstrar e analisar esses meios utilizados para a concessão de efeito suspensivo a recurso que não o tem.

2. Concessão ex officio do efeito suspensivo

            A legislação processual estabelece se o recurso terá, além do devolutivo, o efeito suspensivo. Trata-se do critério ope legis do efeito suspensivo. A apelação, como visto, tem, via de regra, o efeito suspensivo, em razão da determinação legal (critério ope legis), sendo recebida apenas no efeito devolutivo, se a causa estiver enquadrada em uma das hipóteses relacionadas no art. 520 do CPC ou se assim dispuser norma de legislação extravagante. Tais hipóteses – como, aliás, reconhece a unanimidade da doutrina e da jurisprudência – constituem numerus clausus, eis que se trata de dispositivo taxativo, de interpretação restritiva, não admitindo ampliações exegéticas ou interpretações extensivas.

            Daí por que o juiz de primeira instância vincula-se ao que a lei expressamente fixar, devendo receber o recurso nos efeitos devolutivo e suspensivo ou, por outro lado, recebê-lo apenas no efeito devolutivo, a depender do que a norma dispuser.

            Significa que o juiz não pode conceder efeito suspensivo a recurso que não o tem, salvo se houver norma em sentido contrário. Em outras palavras, ao receber o recurso, o julgador não poderá de ofício conceder efeito suspensivo a recurso que não o tem. Sua atividade deve ser, na espécie, vinculada, devendo receber, não custa repetir, o recurso no efeito indicado pela lei[9].

            O que se pretende deixar consignado é que o juiz somente poderá conceder efeito suspensivo a recurso dele desprovido, caso haja requerimento da parte nesse sentido, sendo-lhe defeso fazê-lo de ofício. Haverá, nesse caso, concessão de efeito suspensivo pelo critério ope judicis[10].

            À evidência, o juiz somente poderá receber o recurso no efeito suspensivo, se a lei assim determinar (critério ope legis) ou se a parte assim o requerer (critério ope judicis)[11]. Na primeira hipótese, a atuação do juiz é feita ex officio, enquanto, na segunda, é necessário haver o requerimento da parte interessada. Na primeira hipótese, como a atuação se faz de ofício, caso o juiz tenha se equivocado e recebido o recurso no efeito diverso do que a lei estabelece, poderá corrigir o engano de ofício ou atendendo a mero requerimento da parte. Já na segunda hipótese, como o critério é ope judicis, não podendo haver atuação ex officio, o equívoco deverá ser corrigido por meio de recurso próprio dirigido contra a decisão relativa à concessão de efeito suspensivo ao recurso que não o tem[12].

3. Concessão de efeito suspensivo a agravo de instrumento

            O agravo de instrumento é, como se viu, desprovido de efeito suspensivo. O relator pode, entretanto, conceder efeito suspensivo, a requerimento do agravante, nos casos de prisão civil, adjudicação, remição de bens e levantamento de dinheiro sem caução idônea. Afora esses casos, que se apresentam como hipóteses relacionada em numerus clausus, a atual redação do art. 558 do CPC permite, ainda, que se empreste efeito suspensivo ao agravo de instrumento em todos os casos dos quais possa resultar grave lesão e de difícil reparação, sendo relevante a fundamentação.

            Como se pode perceber, a concessão de efeito suspensivo a agravo de instrumento depende, atualmente, da demonstração de grave lesão e de difícil reparação (periculum in mora), sendo relevante a fundamentação (fumus boni juris). As hipóteses referidas no art. 558 do CPC passaram a constituir meros exemplos de hipóteses de urgência, em que se visualiza grave lesão e de difícil reparação[13].

            O requerimento de concessão de efeito suspensivo ao agravo de instrumento ostenta, a bem da verdade, o cariz de medida cautelar inserida no âmbito do próprio recurso.

4. Agravo de instrumento para concessão de efeito suspensivo a apelação

            O art. 558 do CPC confere ao relator poderes para, a requerimento do agravante, em casos dos quais possa resultar lesão grave e de difícil reparação, sendo relevante a fundamentação, suspender o cumprimento da decisão até o pronunciamento definitivo da Turma ou Câmara. Vale dizer que o agravo de instrumento não é dotado de efeito suspensivo, mas tal efeito pode ser concedido pelo relator, a requerimento do agravante.

            O parágrafo único do referido art. 558 do CPC estende essa possibilidade de agregação de efeito suspensivo ao recurso de apelação, quando, nas hipóteses previstas no art. 520 daquele diploma, o mencionado recurso seja desprovido de efeito suspensivo. Conquanto o dispositivo aluda, apenas, às hipóteses do art. 520 do CPC, “convém interpretar ampliativamente o parágrafo, para que ele abranja, pela identidade de razões, também as apelações reguladas por lei especial, que lhes retire o efeito suspensivo, acabando-se, de uma boa vez, com o uso do mandado de segurança para esse fim”[14].

            O disposto no parágrafo único do art. 558 do CPC aplica-se não somente aos casos do art. 520 do CPC, mas também a todos os outros em que a apelação seja desprovida de efeito suspensivo. Além do mais, tal dispositivo dirige-se tanto ao juízo de primeiro grau de jurisdição (órgão de interposição do recurso) como ao juízo de segundo grau de jurisdição (órgão destinatário do recurso, que deverá julgá-lo)[15].

            Dirigido ao juiz de primeiro grau ou ao tribunal, o pedido de concessão de efeito suspensivo à apelação, fundado no parágrafo único do art. 558 do CPC, constitui, a bem da verdade, uma medida cautelar[16].

            À evidência, enquadrando-se a hipótese em um dos casos emoldurados no art. 520 do CPC ou em dispositivo de lei extravagante que retire da apelação o efeito suspensivo, poderá o apelante, nas razões de apelação ou em simples petição, requerer ao juiz que comunique efeito suspensivo ao seu recurso, por serem relevantes as razões recursais e diante do risco de ocorrência de lesão grave ou de difícil reparação.

            Na eventualidade de o juiz receber a apelação apenas no efeito devolutivo, poderá o apelante interpor dessa decisão um recurso de agravo de instrumento, pretendendo a obtenção desse efeito suspensivo no tribunal.

            O agravo de instrumento, nessa hipótese, contém previsão no art. 523, § 4º do CPC. Realmente, o dispositivo estabelece os casos em que se faz obrigatória a retenção do agravo. Pelo que se infere dos termos da regra ali capitulada, é obrigatória a retenção do agravo para as decisões posteriores à sentença, salvo nos casos de inadmissão da apelação e, também, naqueles em que houver dano de difícil e de incerta reparação e, ainda, nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida.

            Assim, da decisão do juiz que recebe a apelação apenas no efeito devolutivo cabe um agravo de instrumento para que o efeito suspensivo seja obtido junto ao tribunal. Pode-se, inclusive, requerer ao relator que, com fundamento no art. 527, III, do CPC, já conceda, desde logo, o efeito suspensivo pretendido.

            Embora tenha havido um dissenso inicial sobre a possibilidade de o relator do agravo de instrumento conceder o efeito suspensivo a que se refere o art. 558 do CPC, quando a decisão recorrida fosse de cunho negativo ou indeferitório, parece que se uniformizou o entendimento no sentido de que, com base nesse dispositivo, pode o relator ou o tribunal não somente suspender a decisão que foi concedida, como também conceder a que foi negada, atendendo ao espírito normativo de pôr fim aos infindáveis mandados de segurança até então impetrados contra atos judiciais[17].

            Conceder, liminarmente no agravo, a providência que fora negada pelo juiz de primeira instância representa o deferimento de uma tutela antecipada[18]. Nesses casos, o relator, em verdade, nada mais faz senão antecipar efeitos do futuro e provável juízo de provimento recursal.[19] Trata-se de indubitável antecipação de tutela proferida em sede de agravo de instrumento. Daí por que, na atual dicção do art. 527, III, do CPC, o relator “poderá atribuir efeito suspensivo ao recurso (art. 558), ou deferir, em antecipação de tutela, total ou parcialmente, a pretensão recursal, comunicando ao juiz sua decisão;”.

            Assim, resta inquestionável que o relator do agravo de instrumento poderá não somente suspender a decisão que foi concedida, como também conceder a que foi negada. Neste último caso, fá-lo-á por meio de tutela antecipada, cujos requisitos estão previstos no art. 273 do CPC. Com efeito, “as regras do artigo 273 são muito mais adequadas para regular a antecipação da tutela recursal, mesmo quando esta não coincida, como acima demonstramos, com uma antecipação dos efeitos do provimento final (sentença)”[20].

            Considerando que a antecipação da tutela recursal deve ter fulcro no art. 273 do CPC, é forçoso observar que somente poderá ser concedida pelo relator, caso haja expresso e prévio requerimento do agravante. Desse modo, ainda que presentes os requisitos inscritos no art. 273 do CPC, não poderá o relator conceder a antecipação da tutela recursal, se o agravante não a tenha requerido, de forma inequívoca, nas razões de seu apelo. É inviável, enfim, a tutela recursal antecipada de ofício, dependendo, sempre, de prévio requerimento.

            Não é ocioso lembrar que da decisão do relator que conceder a tutela antecipada recursal caberá agravo regimental para o órgão colegiado do tribunal, competente para conhecer do recurso. Sempre que a decisão for tomada isoladamente pelo relator, poderá ser revista pelo colegiado.

            Com efeito, os tribunais foram criados para proferirem julgamentos colegiados. Os membros dos tribunais devem, portanto, atuar em órgão colegiado. “Ali se relativizam posições anteriormente dogmáticas, se corrigem defeitos de ótica e de entendimento derivados de limitações próprias de uma bagagem de vida individual e restrita. Por isso, todos os que atuam em colegiado recebem os benefícios de uma redução da carga de ansiedade que necessariamente acompanha o julgamento monocrático. É confortador saber que meu equívoco será corrigido pelos colegas que saberão enxergar perspectivas que escaparam a meu restrito campo de visão de modo a que juntos alcancemos a solução mais próxima possível da justiça que todos desejamos”[21].

            A despeito de os tribunais terem vocação para decisões colegiadas, há hipóteses em que se delega competência ao relator para, isoladamente, examinar o caso, proferindo a correlata decisão. Quando se procede com tal delegação, deve-se, sempre, permitir seja o caso reexaminado pelo colegiado, a quem se confere, efetiva e originalmente, a competência para o julgamento[22].

            É por meio do agravo regimental ou dos chamados agravos internos, previstos em dispositivos esparsos do CPC ou de leis extravagantes, que se devolve ao colegiado a competência que fora delegada ao relator. Realmente, qualquer um desses agravos constitui “uma forma de fazer retornar ao colegiado competência que, originariamente, já era sua, e que fora indevidamente exercida pelo relator”[23].

            Enfim, resta evidente que poderá a parte, com fulcro no parágrafo único do art. 558 do CPC, requerer, nas próprias razões de apelação, ou em petição avulsa, seja concedido efeito suspensivo ao apelo. Negado que seja a concessão de tal efeito suspensivo, caberá a interposição de agravo de instrumento, em cujas razões pode-se requerer ao relator que, em antecipação de tutela recursal, comunique, desde logo, esse efeito suspensivo ao recurso de apelação. O julgamento final do agravo destina-se, exatamente, a conceder tal efeito suspensivo à apelação[24]. Eis por que, quando o relator o concede desde já, está a proferir uma antecipação de tutela recursal.

5. Ação cautelar para obter efeito suspensivo à apelação

            Interposta a apelação, opera-se o efeito devolutivo, tendo a matéria sido transferida ao conhecimento do tribunal. Significa que, a partir desse momento, a cautelar que se faça necessária deverá ser intentada diretamente no tribunal, vindo o seu relator a ficar prevento para a apelação.

            A tão só interposição do recurso já é suficiente para considerar competente o tribunal (na pessoa do relator que for escolhido) para apreciar a cautelar que for preciso ser ajuizada[25].

            Com efeito, interposta a apelação, a cautelar, na dicção do parágrafo único do art. 800 do CPC, deve ser ajuizada diretamente no tribunal, não devendo ser dirigida ao juiz de primeira instância. Em outras palavras, estando a causa no tribunal ou já tendo sido interposta a apelação, não se dirige mais a cautelar para o juiz de primeira instância, a não ser que se trate de cautelar de alimentos provisionais ou de cautelar de atentado.

            Ainda que a causa esteja no tribunal, a cautelar de alimentos provisionais será, sempre, intentada perante o juiz de primeira instância (CPC, art. 853). De igual modo, ainda que a causa esteja no tribunal, a cautelar de atentado será, sempre, ajuizada perante o juízo de primeira instância (CPC, art. 880, parágrafo único).

            Abstraídas essas hipóteses da cautelar de alimentos provisionais e da cautelar de atentado, estando a causa no tribunal ou já tendo sido interposta a apelação, a cautelar deve ser intentada perante o tribunal. Nesse caso, tal cautelar desponta como um meio adequado à obtenção de efeito suspensivo à apelação que não o tem. O relator, como se viu, da cautelar ficará prevento para a apelação.

            Diante do fumus boni juris e do periculum in mora, poderá o relator da cautelar, verificando ser relevante o fundamento da apelação e divisando o risco de grave lesão ou de difícil reparação, conceder a liminar destinada a comunicar efeito suspensivo à apelação que dele é desprovida[26].

            Interposta a apelação, tendo sido esta recebida e já estando os autos principais no tribunal, parece não ser mais necessário ajuizar a ação cautelar. Basta ao apelante, com fundamento no parágrafo único do art. 558 do CPC, requerer ao relator que conceda o efeito suspensivo pretendido, em razão da coexistência do fumus boni juris e do periculum in mora. É que, como se ressaltou nos itens 3 e 4 supra, tal requerimento caracteriza-se como uma medida cautelar, podendo ser veiculada numa ação cautelar ou nos próprios autos em que interposta a apelação.

            Quando a apelação já tiver desencadeado a remessa dos autos ao tribunal, estando em poder do relator, não se afigura mais cabível a ação cautelar. É que o pedido de efeito suspensivo, fundado no parágrafo único do art. 800 do CPC, pode ser feito por mera petição, despontando a desnecessidade da propositura da ação cautelar. Nesse caso, faltará à ação cautelar o indispensável interesse de agir, eis que este somente estará presente, se houver necessidade da providência jurisdicional, além de sua utilidade e da adequação do correspondente procedimento[27].

            Se a apelação for parcial, isto é, caso o apelante tenha se insurgido apenas contra uma parte da sentença, somente esta parte é que será objeto do efeito devolutivo, vindo a ser transferida ao conhecimento do tribunal. Quanto à parte não impugnada, restou não incluída na devolução do recurso, que será, nesse caso, parcial. Tal parte não impugnada irá transitar em julgado, passando a ser acobertada pelo pálio da coisa julgada material. A cautelar que venha a ser intentada com finalidade diversa de obtenção de efeito suspensivo a recurso – e que diga respeito a esta parte não impugnada –, deverá, então, ser proposta perante o juízo que apreciou a causa em primeiro grau de jurisdição[28].

6. Entendimento restritivo do STJ quanto à ação cautelar para obter efeito suspensivo à apelação

            Já se viu que, para obter efeito suspensivo a apelação que não o tem, sobressaem 2 (duas) opções: (a) ajuizar uma ação cautelar diretamente no tribunal, com fulcro no parágrafo único do art. 800 do CPC, ou (b) aguardar a decisão do juiz que receber a apelação apenas no efeito devolutivo e dela interpor um agravo de instrumento, em cujas razões deve-se requerer a concessão do efeito suspensivo – que se caracteriza, em verdade, como uma antecipação de tutela recursal – , fundando-se no art. 527, III do CPC.

            Tudo indica que tais medidas sejam concorrentes. De fato, além da ação cautelar dirigida ao tribunal, com fulcro no parágrafo único do art. 800 do CPC, a parte pode valer-se de simples requerimento dirigido ao juiz de primeira instância (CPC, art. 558, parágrafo único), daí se seguindo a interposição de agravo de instrumento, caso haja denegação do pleito[29].

            O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo, contudo, que somente se afigura cabível o agravo de instrumento como meio destinado a conferir efeito suspensivo à apelação recebida apenas no efeito devolutivo, revelando-se inadequada a ação cautelar, pois se estaria utilizando esta última medida como um super recurso, sem prazo para interposição, o que, no entender daquela Corte Superior, seria inadmissível[30].

            Não parece, com o devido respeito, que se deva afastar o cabimento da ação cautelar para obtenção de efeito suspensivo à apelação que não o tenha. Desponta, bem ao revés, admissível, na espécie, a ação cautelar.

            Realmente, as condições da ação estão presentes, sendo possível juridicamente o pedido, eis que encontra escoro no parágrafo único do art. 800 do CPC. A parte que interpôs o recurso afigura-se legítima para requerer a providência cautelar, sendo igualmente legítima a parte contrária, eis que beneficiária do ato judicial que recebeu a apelação apenas no efeito devolutivo.

            Resta, por fim, aquilatar a presença do interesse de agir. Este depende da conjugação da necessidade e utilidade da providência jurisdicional, além da adequação do procedimento adotado[31].

            Para que exista a necessidade da providência jurisdicional, é preciso que não haja outro meio, senão o judicial, para solucionar o impasse[32]. Ora, nesse caso da ação cautelar, há efetivamente necessidade, pois o efeito suspensivo da apelação não pode ser obtido por outro meio, senão o judicial; a parte interessada não dispõe de meio extrajudicial para a obtenção do pretendido efeito suspensivo.

            A circunstância de existir a possibilidade de se interpor um agravo de instrumento não subtrai a necessidade da ação cautelar. Trata-se de medidas concorrentes, podendo a parte valer-se tanto da ação cautelar como do agravo de instrumento. A cumulação dessas medidas não se afigura vedada pelo sistema. De acordo com o princípio da singularidade, é proibida a interposição simultânea de mais de um recurso contra a mesma decisão, excepcionado apenas o ajuizamento conjunto de recurso especial e extraordinário. Acontece, porém, que a ação cautelar não é um recurso, ostentando a natureza de ação autônoma. Logo, não sendo recurso, não se submete à incidência do princípio da singularidade, podendo ser ajuizada em conjunto com outro meio de impugnação.

            À evidência, a previsão de agravo de instrumento não retira, em tese, a necessidade da ação cautelar destinada a obter efeito suspensivo a apelação dele desprovida.

            A medida revela-se igualmente útil. Com efeito, sobressai a utilidade quando o provimento almejado representar “um proveito efetivo para o autor, no sentido de assegurar-lhe uma posição jurídica mais vantajosa do que a anterior”[33]. Ora, a cautelar destinada a obter efeito suspensivo, uma vez acolhida, representa um proveito efetivo para o autor, já que lhe assegura uma vantagem de que não dispunha antes do ajuizamento da demanda de urgência.

            Na verdade, o que se deve verificar é se a cautelar mostra-se adequada ao desiderato de obter efeito suspensivo à apelação que dele é desprovida. Dispondo a parte do agravo de instrumento contra a decisão do juiz relativa aos efeitos em que recebe a apelação, sobejaria adequação à ação cautelar que tenha essa mesma finalidade?

            A resposta a essa indagação impõe que se relembre que o processo constitui instrumento, mediante o qual se possibilita à parte interessada o exercício do seu direito material. Segundo já se tornou elementar, o processo, como instrumento de prestação da tutela jurisdicional, deve possibilitar, tanto quanto possível, o resultado equivalente ao que seria obtido com o cumprimento espontâneo das normas jurídicas. Daí exigir-se “a estruturação de procedimentos capazes de fornecer a tutela jurisdicional ao plano do direito material”[34].

            É por isso que “..., existem vários procedimentos especiais, estruturados para melhor aplicar a lei em dadas situações específicas, levando-se em conta as peculiaridades do direito material. Realmente, apenas à guisa de exemplificação, é bem de ver que a ação de rito ordinário não serviria para atender ao interesse de alguém que objetivasse extinguir a obrigação que assumiu mediante consignação do pagamento devido. De igual modo, não se possibilita o manejo do mandado de segurança para cobrança de prestações pretéritas. Não se admite o uso de ação possessória para a proteção do direito autoral”[35] (Súmula 228 do STJ). Não é por outra razão, aliás, que a tutela jurisdicional pleiteada pela parte autora, além de necessária, há de ser proferida em procedimento adequado à satisfação do interesse material ou do direito subjetivo a que se visa proteger.

            A propósito, “é relevante ressaltar que a adequação do procedimento não implica que, para cada pretensão, deva haver um procedimento único, próprio e específico. Na realidade, o que se exige é que o procedimento eleito seja adequado ao desiderato almejado. Tome-se como exemplo um esbulho possessório perpetrado no imóvel de um particular por uma pessoa jurídica de direito público. Nesse caso, será possível o ajuizamento de uma ação de reintegração de posse, ou de uma ação de desapropriação indireta, ou, ainda, de um mandado de segurança, desde que, para cada uma dessas ações, haja o preenchimento de seus pressupostos específicos e o procedimento seja adequado ao fim desejado. Obviamente que a despropriação indireta, por exemplo, não será adequada para a retomada da posse do imóvel, eis que sua finalidade está relacionada com a indenização dos prejuízos suportados. Para aquele fim, o meio adequado será a reintegração de posse, ou, então, o mandado de segurança, caso haja prova pré-constituída de direito líquido e certo. Caso se positive o exemplo acima vislumbrado, no sentido de que seja intentada ação de desapropriação indireta para fins de retomada da posse do imóvel, estará ausente a adequação do procedimento, de forma a afastar a presença do interesse de agir. Em suma, o que se pretende deixar claro é que não se faz necessário que, para cada caso, haja um único e específico procedimento. É possível haver alternativas, cuja escolha entre um e outro caberá ao interessado, desde que o procedimento adotado seja adequado à pretensão formulada”[36].

            Como se vê, o sistema normativo confere, bastas vezes, mais de um meio adequado à pretensão formulada. No caso de que ora se trata, tanto a ação cautelar como o agravo de instrumento despontam como mecanismos voltados à obtenção de efeito suspensivo a apelação que não o tenha. Cabível, portanto, a ação cautelar com tal finalidade.

            A ausência de interposição de agravo de instrumento contra a decisão do juiz de primeira instância que recebe a apelação apenas no efeito devolutivo não tem o condão de gerar preclusão, a inibir o ajuizamento da ação cautelar fundada no parágrafo único do art. 800 do CPC. É que a cautelar constitui, nesse caso, uma ação, capaz de formar um processo autônomo, embora dependente da própria apelação. Ora, sabe-se que a preclusão significa a perda, extinção ou consumação de uma faculdade processual[37]. Além do mais, a preclusão, como é curial, ostenta natureza endoprocessual, não se espraiando para atingir outras demandas nem outros processos. Em outras palavras, a preclusão confina-se naquele processo, atingindo apenas aquele ato específico. Assim, preclusa a oportunidade de interpor agravo de instrumento, caracterizou-se a perda do ônus processual de intentar tal recurso, não sendo atingidos com tal perda outros atos processuais ou outros ônus ou faculdades. Constituindo, como visto, a cautelar do parágrafo único do art. 800 do CPC uma ação autônoma, a inércia da parte quanto à interposição de um agravo de instrumento num outro processo, não poderá espraiar-se para atingir dita cautelar.

            Tudo está a demonstrar, portanto, que se afigura cabível a ação cautelar, fundada no parágrafo único do art. 800 do CPC, para dar efeito suspensivo à apelação.

            O argumento de que, a se admitir a cautelar para emprestar efeito suspensivo a apelação, estaria a conferir à parte um super recurso sem prazo de interposição, não resiste à constatação de que a jurisdição cautelar apresenta-se inerente ao exercício da própria jurisdição. Efetivamente, em virtude da norma inscrita no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, segundo a qual “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”, passou-se a entender que, a par da jurisdição tradicional, que se relaciona com o reconhecimento de direitos postulados, exsurge uma jurisdição cautelar, a entremostrar que “... a tutela cautelar se insere na função do Estado de bem solucionar os conflitos, uma vez que a jurisdição engloba igualmente a adoção de todos os meios necessários à eficácia do direito reconhecido no processo de conhecimento, esteja ele em curso ou na iminência de sua interposição”[38].

            Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 4, definiu que a jurisdição contém o chamado poder de acautelar, motivo pelo qual se confere ao magistrado instrumentos para garantir a efetividade de seu mister de julgar. A conclusão a que chegou o STF aponta para a premissa fundamental de que o poder de julgar é indissociável do poder de acautelar, despontando, por essa razão, a existência de uma jurisdição cautelar, apta a garantir o resultado útil do processo principal, como corolário do princípio constitucional da inafastabilidade da jurisdição[39].

            Sendo certo que o poder de acautelar apresenta-se inerente ao poder de julgar, de tal modo que há uma jurisdição cautelar inserida no âmbito da jurisdição, é curial que se afigura possível o manejo da ação cautelar destinada a emprestar efeito suspensivo à apelação. Na verdade, a medida cautelar tanto poderá ser obtida no agravo de instrumento que se interponha contra a decisão do juiz que receber a apelação apenas no efeito devolutivo, como na ação cautelar que vier a ser intentada com suporte no parágrafo único do art. 800 do CPC.

            Mesmo que persista o entendimento restritivo do STJ em não admitir a ação cautelar destinada a comunicar efeito suspensivo à apelação, não se deverá negar o manejo de tal demanda de urgência quando, não tendo o juiz ainda proferido a decisão relativa aos efeitos da apelação, surja a necessidade imediata de se obter uma medida urgente. Nesse caso, e para que se atenda à orientação do STJ, restaria concluir que a cautelar, fundada no parágrafo único do art. 800 do CPC, seria cabível entre a interposição da apelação e a decisão do juiz relativa aos efeitos em que a receberá. De igual modo, e para ser coerente com a orientação do STJ, de forma a preservar a cláusula constitucional da inafastabilidade do controle jurisdicional, afigura-se cabível a cautelar, quando, mesmo já tendo sido proferida a decisão relativa aos efeitos da apelação, a urgência tenha surgido após o escoamento do prazo para a interposição do agravo de instrumento.

            Nessas hipóteses, não há como afastar o cabimento da ação cautelar, ainda que persista o entendimento restritivo do STJ, sob pena de grave ofensa ao já mencionado princípio insculpido no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal.

7. Ação cautelar para obtenção de efeito suspensivo a recurso especial e a recurso extraordinário

            Consoante já restou acentuado, tanto o recurso extraordinário como o especial dispõem, apenas, do efeito devolutivo (CPC, arts. 497 e 542, § 2º), de sorte que o comando emergente do acórdão recorrido produz efeitos imediatos, já permitindo a execução provisória ou a satisfação imediata do direito da parte até então vitoriosa.

            De acordo com o parágrafo único do art. 800 do CPC, cabe ao tribunal ao qual se endereçou o recurso apreciar a ação cautelar destinada a obter efeito suspensivo a recurso dele desprovido.

       Acontece, porém, que o tanto o recurso extraordinário como o especial contêm efeito devolutivo restrito e de argumentação vinculada ao dispositivo devidamente prequestionado pelo acórdão recorrido. Nesse caso, o juízo de admissibilidade exercido pelo presidente ou vice-presidente do tribunal local depende de valoração de delibação mais acentuada, com contornos que incursionam sobre o mérito da demanda.

       Diante disso, o Supremo Tribunal Federal entende que o efeito devolutivo do recurso extraordinário opera-se após o exercício do juízo positivo de admissibilidade pelo tribunal de origem, ou seja, somente depois de o presidente ou vice-presidente do tribunal local admitir o apelo extremo. Enquanto não for admitido, não se terá transferido o conhecimento da matéria para o Supremo Tribunal Federal, que ainda não terá competência para apreciar a causa.

       Significa, então, que o Supremo Tribunal Federal não dispõe de competência, enquanto não for admitido, na origem, o recurso extraordinário, não podendo, de igual modo, apreciar qualquer medida cautelar durante esse período. Em outras palavras, o STF apenas aprecia medida cautelar destinada a conferir efeito suspensivo a recurso extraordinário, somente após admitido o apelo derradeiro[40].

       Não é ocioso repetir que, enquanto não admitido, pelo tribunal de origem, o recurso extraordinário, não cabe a correlata medida cautelar para o STF. Nesse intervalo, a competência para apreciar a medida cautelar é do próprio tribunal de origem, ou seja, enquanto não admitido o recurso extraordinário, cabe à corte local apreciar a medida cautelar correspondente[41].

       O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, mantém 3 (três) entendimentos diferentes quanto ao assunto: (a) o que segue, integralmente, a orientação ministrada pelo STF; (b) o que aceita a cautelar antes mesmo da interposição do recurso especial; e, (c) o que, em princípio, segue a orientação do STF, mas, em se tratando de situação de muita urgência, admite a cautelar antes de exercido o juízo positivo de admissibilidade do recurso especial ou, até mesmo, antes de ter havido sua interposição.

       O primeiro entendimento, indicado sob a supra, ao adotar a mesma orientação do STF, resume-se em não aceitar a ação cautelar antes de ter havido o juízo positivo de admissibilidade do recurso especial. Esse é o entendimento das 5ª e 6ª Turmas que, reunidas, formam a 3ª Seção do STJ[42].

       As 3ª e 4ª Turmas do STJ, tradicionalmente, sempre foram bastante liberais quanto ao tema, aceitando a propositura da cautelar antes de exercido o juízo positivo de admissibilidade do recurso especial ou antes mesmo da sua interposição[43]. Recentemente, contudo, já foram proferidos acórdãos, da lavra da 3ª Turma do STJ, no sentido de adotar a mesma posição já firmada pelo STF[44].

         Na esteira do posicionamento adotado pelas 3ª e 4ª Turmas, as 1ª e 2ª Turmas do próprio STJ aceitavam, largamente, a cautelar para emprestar efeito suspensivo a recurso especial, sendo indiferente se teria havido ou não o juízo positivo de admissibilidade do recurso[45]. Realmente, entendia-se que, “interposto o Recurso Especial, a cautelar incidental será ajuizada diretamente no Superior Tribunal de Justiça, ainda que o Presidente do Tribunal a quo não tenha proferido juízo de admissibilidade. Inteligência do parágrafo único do art. 800 do CPC, com a redação dada pela lei n. 8.952/94”[46].

       Ultimamente, entretanto, as turmas que integram a 1ª Seção do STJ vêm se curvando ao entendimento firmado pelo STF, para assentar a orientação segundo a qual somente se possibilita o manejo da cautelar para emprestar efeito suspensivo a recurso especial, depois que este tenha sido interposto e já admitido[47].

       Muito embora as 1ª e 2ª Turmas do STJ venham seguindo a orientação ministrada pelo STF, alguns precedentes demonstram a aceitação de cautelares destinadas a agregar efeito suspensivo a recurso especial, antes mesmo do juízo positivo de admissibilidade, mercê da excepcionalidade do caso, demonstrada pela circunstância de o tribunal local não ter enfrentado a urgência da medida[48]. A excepcionalidade de casos extremamente urgentes tem levado os integrantes da 1ª Seção do STJ a admitir a cautelar, em várias hipóteses, antes do juízo de admissibilidade ou mesmo antes da interposição do recurso especial, ainda que não tenha sido publicado o acórdão ou ainda que esteja pendente o julgamento de embargos declaratórios[49].

       O entendimento dos tribunais superiores está confluindo, como se vê, para uma conclusão única: além dos requisitos que lhes são próprios, quais sejam, o fumus boni juris e o periculum in mora[50], as cautelares destinadas à obtenção de efeito suspensivo a recursos especial e extraordinário dependem de mais 3 (três) requisitos:

a) instauração da jurisdição cautelar do tribunal superior, com o juízo positivo de admissibilidade do recurso extremo;

b) viabilidade recursal, pelo atendimento dos pressupostos recursais específicos e genéricos, e não incidência de óbices sumulares ou regimentais; e,

c) plausibilidade da pretensão recursal formulada contra eventual error in judicando ou error in procedendo.

       À evidência, para que se possa obter a concessão de efeito suspensivo a recurso especial ou extraordinário, poderá ser ajuizada uma ação cautelar perante:

a)      o STF ou STJ, desde que o recurso extraordinário ou o recurso especial já tenha recebido o juízo positivo de admissibilidade, seja em razão de decisão proferida pelo presidente ou vice-presidente do tribunal de origem, seja em virtude de provimento dado a agravo de instrumento pelo próprio tribunal superior;

b)      o próprio tribunal local, onde fora proferido o acórdão recorrido, enquanto não houver sido admitido o recurso especial ou extraordinário.

         Admitido o recurso extraordinário, a cautelar visando a agregar-lhe efeito suspensivo deve, a partir de então, ser, como visto, intentada perante o STF. Lá, a cautelar deve ser apreciada pelo seu relator, a quem compete, deferida a liminar, submeter o caso ao colegiado para referendum. No STJ, a cautelar será, igualmente, distribuída a um relator, que poderá conceder, isoladamente, a liminar, podendo, caso prefira, submetê-la ao colegiado para obter seu referendum; sendo denegada a liminar, está dispensada a apresentação do feito em mesa para o referendo do colegiado, mas, ao concedê-la, o relator tem a escolha – embora haja um ou outro julgado entendendo necessário – de submeter ou não a questão ao referendo da turma[51].

       Parece correto entender que não há obrigatoriedade de a questão ser submetida para referendo da turma; não se nega que o relator – até mesmo por tradição – tem poderes para apreciar (e até conceder) liminares em tribunal. Levar a questão para referendo da turma tem o único efeito prático de impedir a posterior interposição do agravo regimental. E isso porque o objetivo do regimental é, justamente, obter o posicionamento da turma, da câmara, enfim, do respectivo colegiado. Ora, se é o próprio colegiado que está decidindo ou ratificando a decisão, não subsiste razão para obter seu posicionamento: este já foi emitido, descabendo o agravo regimental. Caso, entretanto, o relator decida, sem submeter a questão ao crivo do colegiado, caberá, então, o agravo regimental, para que se obtenha o posicionamento deste a respeito da questão decidida.

       Cumpre registrar, por ser conveniente, que, não admitido o recurso extraordinário ou o especial – e ainda que já tenha sido interposto agravo de instrumento ou até já distribuído a um relator no STF ou no STJ – é bem de ver que, mesmo nessa condição, ainda não se implementou o “requisito” ou a “condição” exigida pelo STF e, de resto, por muitos dos órgãos do STJ, qual seja, ter havido o prévio juízo positivo de admissibilidade do recurso extraordinário ou especial. Nesse caso, surge uma situação inusitada: o presidente ou vice-presidente do tribunal local já negou seguimento ao recurso extraordinário, sendo certo que não há como convencê-lo da existência de um fumus boni juris. Assim, durante a interposição do agravo de instrumento contra denegação do apelo extremo e sua análise pelo ministro relator no tribunal superior, a parte fica, nesse período, privada da tutela cautelar, sem a possibilidade de obtenção de efeito suspensivo ao seu recurso[52]. É que, se intentar a cautelar no STF ou no STJ, será indeferida a petição inicial, por faltar, na esteira do entendimento já anotado, competência ao tribunal superior. Por outro lado, se ajuizá-la perante o tribunal local, não reunirá, provavelmente, chances de êxito, na exata medida em que, tendo sido negado seguimento ao seu recurso, será, muito possivelmente, indeferida a pretensão formulada, à mingua do indispensável requisito da fumaça do bom direito.

       Ficaria, então, a parte interessada sem jurisdição cautelar. Haveria a configuração de um verdadeiro non liquet, desaguando para indiscutível violação ao princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, exatamente porque uma ameaça estará sendo afastada da análise do Poder Judiciário. Para evitar essa situação, caberia ao tribunal superior apreciar a cautelar, já examinando o acerto ou desacerto da decisão que não admitiu o recurso extremo.

       Muitos dos precedentes que veiculam o entendimento, segundo o qual a cautelar somente pode ser ajuizada no tribunal superior após admitido o recurso extremo, fundam-se no argumento de que, a se admitir a cautelar para o tribunal superior antes desse momento, estar-se-ia subtraindo da corte local a competência para exercer o juízo de admissibilidade e, uma vez deferida a liminar, impondo, praticamente, ao tribunal de origem que remeta os autos ao juízo ad quem. Essa constatação denotaria um impediente a mais para o manejo da cautelar antes de admitido o recurso na origem.

         Parece falho, com o devido respeito, o argumento. É que, segundo entendimento igualmente firmado, na cautelar já pode ser exercido, pelo ministro relator, o juízo de admissibilidade do recurso extremo[53]. Ora, se o relator já verifica que o recurso reúne condições de seguimento, deve, sim, determinar a remessa dos autos originários para o tribunal superior, a fim de apreciá-lo e, provavelmente, dar-lhe provimento. Isso tudo estará evidente na análise do fumus boni juris, a entremostrar que o acórdão recorrido estaria, aparentemente, violando dispositivo de norma (infra)constitucional.

       De todo modo, e não obstante as críticas[54] a esse entendimento – que não são poucas e, bem por isso, não serão abordadas no presente trabalho, por escapar do seu objetivo, deixando-se para discorrer sobre elas em outro estudo – o que importa deixar assente, no presente ensaio, é que, enquanto não admitido o recurso extremo, a cautelar será ajuizada no tribunal de origem. Depois de admitido o recurso, a cautelar será, aí sim, intentada perante o respectivo tribunal superior.

8. Mandado de segurança: ainda constitui meio para obtenção de efeito suspensivo a recurso que não o tem?

            Antes da Lei nº 9.139/1995, o agravo de instrumento era interposto perante o juízo de primeira instância, contendo um procedimento moroso e incompatível com as situações de urgência. Daí por que se revelou comum que a parte, juntamente com a interposição do agravo de instrumento, impetrasse mandado de segurança, a fim de obter efeito suspensivo àquele agravo. Isso porque o agravo de instrumento não contém, como se sabe, efeito suspensivo, vindo o mandado de segurança a ser utilizado para obtenção daquele efeito. Não havia, como é cediço, a previsão de concessão de efeito suspensivo ao agravo de instrumento, eis que o art. 558 do CPC, na sua redação originária, mantida até o advento da Lei nº 9.139/1995, somente previa o efeito suspensivo em hipóteses específicas, de angusta verificação.

            Com a edição da Lei nº 9.139/1995, o agravo de instrumento passou a ser interposto diretamente no tribunal de segunda instância, passando a conter procedimento mais ágil e célere. Ademais, o art. 558 do CPC sofreu alteração para que o relator passasse a poder conceder-lhe efeito suspensivo.

            Objetivou-se, com as alterações levadas a cabo na sistemática do agravo de instrumento, eliminar o uso anômalo e excessivo do mandado de segurança contra ato judicial e, mais especificamente, afastar o seu uso atípico de meio destinado à obtenção de efeito suspensivo a recurso dele desprovido.

            Ora, o art. 5º, II, da Lei nº 1.533/1951 veda o manejo do mandado de segurança contra ato judicial recorrível, vedação essa reforçada pela Súmula 267 do STF, segundo a qual “não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição”.

            Levando-se em conta, entretanto, que o agravo de instrumento, em sua antiga sistemática, revelava-se inútil ou inapto para solucionar questões de urgência ou para evitar a consumação de dano irreparável e de difícil reparação, o entendimento doutrinário e jurisprudencial uniformizou-se no sentido de admitir a impetração do mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso sem efeito suspensivo, com a finalidade específica de agregação de tal efeito suspensivo ao recurso dele desprovido. Desse modo, a parte que interpusesse agravo de instrumento, açodava-se em também impetrar mandado de segurança, com vistas à obtenção do efeito suspensivo.

            Enfim, sendo recorrível o ato judicial, não se admite o mandado de segurança. Caso, todavia, o recurso cabível não fosse suficiente para solucionar o problema ou não contivesse aptidão para combater, com eficiência, o prejuízo suportado pela parte, admitia-se, então, o mandado de segurança contra ato judicial, com a finalidade atípica de se obter o efeito suspensivo que o recurso não tivesse.

            A partir do advento da Lei nº 9.139/1995, que aperfeiçoou a sistemática do agravo de instrumento, permitindo-se, inclusive, a concessão de efeito suspensivo ao recurso, diante da redação que se emprestou ao art. 558 do CPC, a vedação inscrita no art. 5º, II, da Lei nº 15.33/1951 passou a se revestir de matiz mais vivo, pondo-se em evidência a aplicação da Súmula 267 do STF, a inibir o uso anômalo do mandado de segurança para agregação de efeito suspensivo a recurso que não o tem. Ora, se o efeito suspensivo pode ser obtido no próprio recurso, mediante decisão proferida pelo próprio relator (CPC, art. 558), revela-se desnecessário o uso do mandado de segurança, faltando-lhe o indispensável interesse de agir.

            Significa que, com a nova sistemática do agravo de instrumento, não se aceita mais o uso do mandado de segurança para dar-lhe efeito suspensivo[55].

            Na verdade, o mandado de segurança, de assento constitucional, contém, basicamente, 2 (dois) requisitos para seu acolhimento: (a) existência de um direito líquido e certo (b) que esteja sendo ameaçado ou violado por ato abusivo ou ilegal de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público.

            Ora, quando se impetra mandado de segurança para obter efeito suspensivo a recurso dele desprovido, não há o segundo requisito. Qual o ato ilegal ou abusivo? Quando o juiz, por exemplo, recebe o recurso apenas no efeito devolutivo, ele o faz em obediência à determinação legal. Não há, em princípio, ilegalidade ou abusividade, que justifique a impetração do mandado de segurança.

            O mandado de segurança deve ser impetrado, isto sim, contra a decisão judicial, servindo como sucedâneo recursal, não parecendo correto – por se desvirtuar de sua finalidade constitucional – utilizá-lo como uma espécie atípica de medida cautelar ou de mecanismo para a obtenção do efeito suspensivo que o recurso não tem[56]. Acontece, porém, que não cabe o mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso (Lei nº 1.533/1951, art. 5º, II; Súmula 267 do STF).

            Então, em se tratando de despacho ou ato judicial do qual não caiba recurso, admite-se a impetração do mandado de segurança[57]. É possível, de igual modo, que o terceiro prejudicado, que não disponha de mais prazo para interpor recurso[58], possa valer-se do mandado de segurança. Nesse caso, o mandado de segurança serve como sucedâneo recursal, sendo impetrado contra o próprio ato judicial, destinando-se a obter sua reforma ou anulação, e não simplesmente a agregar efeito suspensivo a algum recurso que tivesse sido interposto. Não se faz necessário, para que o terceiro impetre o mandado de segurança, que interponha, previamente, o recurso cabível. É que “a impetração de segurança por terceiro, contra ato judicial, não se condiciona à interposição de recurso” (Súmula 202 do STJ).

            Não se pode perder de vista a importância sobranceira do mandado de segurança, sempre posto à disposição do sujeito para a proteção de seus direitos subjetivos. Assim, sendo inútil o recurso cabível contra determinado ato judicial, sobeja a via do mandado de segurança como adequada para corrigir eventual ilegalidade ou abusividade cometida judicialmente. Imagine-se, por exemplo, que, diante de uma situação de gravidade manifesta, o relator, sem mesmo apreciar o pedido de efeito suspensivo, determine, com esteio no art. 527, II, do CPC, a conversão do agravo de instrumento em agravo retido. Tal determinação, por óbvio, irá subtrair do agravo a utilidade ou aptidão para combater a lesividade sofrida pelo agravante. Confirmada a decisão que determinara a conversão do agravo de instrumento em agravo retido, a parte agravante passará, para que seja desfeita a conversão, a trilhar um tortuoso caminho: irá interpor recurso especial, eventualmente antecedido de embargos de declaração, que ficará retido nos autos (CPC, art. 542, § 3º). Para evitar a retenção, deverá ajuizar uma ação cautelar no STJ, com vistas a que este determine o processamento imediato do recurso. Acolhida a cautelar, o recurso especial será processado, podendo vir a ter seu seguimento negado, daí se seguindo a interposição de um agravo de instrumento, que, uma vez provido, fará com que o recurso especial seja remetido ao STJ. Provido o recurso especial, somente a partir daí é que se estará desfeita a conversão do agravo de instrumento em agravo retido. Durante todo esse intervalo de tempo, a parte ficou sem proteção, não podendo discutir a decisão da qual recorrera. Caberia, então, um mandado de segurança, não com a finalidade de se obter efeito suspensivo ao recurso, mas como sucedâneo recursal, ou seja, com a mesma pretensão formulada no recurso, cabendo a providência liminar (CPC, art. 558). É que, não vindo o recurso interposto a ter eficiência pragmática, exsurge a necessidade do mandado de segurança, desnudando-se a presença do seu indispensável interesse de agir.

            Realmente, em razão do que dispõe o art. 558 do CPC, afigura-se descabida a impetração de mandado de segurança contra ato judicial. Havendo recurso expressamente previsto contra decisão interlocutória, ao qual se poderá conferir efeito suspensivo, não há mais que se valer do mandamus como meio hábil à consecução de tal efeito. Negado o efeito suspensivo, e restando infrutífera a tentativa de obtê-lo no agravo interno, deve o recurso especial ou extraordinário ficar retido, daí se seguindo medida cautelar, agravo de instrumento e uma série enorme de expedientes que podem frustrar a efetividade do comando final. Nesses casos, parece ser possível a impetração do writ, não para obtenção do efeito suspensivo, mas como meio de ataque à própria decisão recorrida, podendo-se, no próprio mandamus, ser obtida a pretendida suspensão[59]. Daí se concluir ser ainda possível a utilização do mandado de segurança, “após o impetrante formular e ver indeferido o pedido a que se refere o art. 558 do Código de Processo Civil”[60].

            Tudo indica, portanto, que não cabe mais o mandado de segurança para obtenção de efeito suspensivo a recurso dele desprovido[61].

 9. Conclusões

            O efeito suspensivo não resulta da interposição do recurso, mas da simples recorribilidade do ato judicial. Assim, quando a lei dispõe de determinado recurso está dotado de efeito suspensivo, a decisão por possa ser por ele atacada, quando proferida, já surge suspensa, vindo essa suspensão a ser confirmada ou estendida com a interposição do recurso ou cessando com o escoamento do prazo sem que haja tal interposição.

            Os recursos desprovidos de efeito suspensivo podem passar a ser dotados de tal efeito, desde que haja requerimento da parte interessada, valendo dizer que não se permite ao juiz conceder, de ofício, o efeito suspensivo ao recurso.

            No agravo de instrumento, o efeito suspensivo pode ser concedido por simples pedido do agravante, desde que presentes os requisitos encartados no art. 558 do CPC, não sendo possível o ajuizamento de uma ação cautelar para isso.

            A apelação que não o tenha poderá receber o efeito suspensivo mediante o ajuizamento, pelo apelante, de uma cautelar diretamente no tribunal, em virtude da regra contida no art. 800, parágrafo único, do CPC. Alternativamente, o apelante poderá, nas razões de apelação ou em petição separada, requerer ao juiz que agregue à apelação o efeito suspensivo, cabendo da decisão que a receber apenas no efeito devolutivo um agravo de instrumento, em razão da regra contida no art. 523, § 4º, do CPC. As 2 (duas) medidas apresentam-se como concorrentes, podendo o apelante valer-se de qualquer uma, se bem que haja entendimento restritivo do STJ a respeito da ação cautelar.

            Ainda que se admita o entendimento restritivo do STJ de não aceitar a ação cautelar destinada a comunicar efeito suspensivo à apelação, não se pode negar ser cabível a cautelar, fundada no parágrafo único do art. 800 do CPC, entre a interposição da apelação e a decisão do juiz relativa aos efeitos em que a receberá. De igual modo, e ainda admitindo-se o entendimento restritivo do STJ, desponta cabível a cautelar, quando, mesmo já tendo sido proferida a decisão relativa aos efeitos da apelação, a urgência tenha surgido após o escoamento do prazo para a interposição do agravo de instrumento.

            Aos recursos especial e extraordinário, que são desprovidos de efeito suspensivo, pode ser agregado tal efeito mediante o ajuizamento de ação cautelar. Enquanto não admitido o recurso extremo, a cautelar será ajuizada no tribunal de origem. Após admitido o recurso, a cautelar será proposta junto ao respectivo tribunal superior.

            O mandado de segurança não serve mais para obtenção de efeito suspensivo a recurso que não o tem, podendo funcionar como sucedâneo recursal, ou seja, fazer as vezes de um recurso de terceiro interessado, de um recurso interposto contra ato judicial irrecorrível ou de um recurso ineficaz para combater a lesividade suportada pela parte.

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[1] Há, contudo, quem defenda que o efeito devolutivo somente estaria presente nos recursos encaminhados a órgão hierarquicamente superior, de sorte que os embargos declaratórios, por exemplo, não conteriam o efeito devolutivo (MOREIRA, José Carlos Barbosa. Comentários ao Código de Processo Civil. 6ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 1994, vol. V, n. 143, pp. 230-231; DINAMARCO, Cândido Rangel. “Os efeitos dos Recursos”. Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis, v. 5. Nelson Nery Jr. e Teresa Arruda Alvim Wambier (coord.). São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, p. 31). Atualmente, deve-se considerar, todavia, que o efeito devolutivo decorre da interposição de qualquer recurso, equivalendo a um efeito de transferência da matéria ou de renovação do julgamento para outro ou para o mesmo órgão julgador.

[2] NERY JÚNIOR, Nelson. Princípios fundamentais – teoria geral dos recursos. 3ª edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1996, p. 375.

[3] NERY JÚNIOR, Nelson. Princípios fundamentais – teoria geral dos recursos. 3ª edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1996, p. 375.

[4] “A expressão efeito suspensivo não reflete com precisão a realidade, já que há suspensão apenas quando algo já estava fluindo; rigorosamente, nesses casos, o recurso obsta a produção de efeitos do ato decisório, havendo em verdade um efeito obstativo que impede a atuação imediata da decisão. Se a executoriedade é uma característica da decisão sujeita a recurso com efeito meramente devolutivo, a suspensividade é também um atributo da própria decisão impugnada que não projeta imediatamente seus efeitos; é preciso aguardar, no mínimo, até o fim do prazo para a interposição do recurso adequado e, no máximo, até não haver mais a possibilidade de interposição de meio de impugnação dotado de efeito suspensivo.” (LUCON, Paulo Henrique dos Santos. Eficácia das decisões e execução provisória. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000, 219).

[5] NERY JÚNIOR, Nelson. Princípios fundamentais – teoria geral dos recursos. 3ª edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1996, p. 378.

[6] Cumpre lembrar que, diante da nova redação conferida ao art. 530 do CPC pela Lei nº 10.352/2001, somente cabem embargos infringentes quando julgada procedente, por maioria de votos, a ação rescisória. Não sendo acolhida ou vindo a ser extinta a ação rescisória, ainda que por votação não unânime, são incabíveis os embargos infringentes.

[7] JORGE, Flávio Cheim. Teoria geral dos recursos cíveis. Rio de Janeiro: Forense, 2003, pp. 293-295; PINTO, Nelson Luiz. Manual dos recursos cíveis. 2ª edição. São Paulo: Malheiros, 2001, p. 149; SOUZA, Bernardo Pimentel. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. 2ª edição. Belo Horizonte: Mazza, 2001, pp. 349-350.

[8] NERY JÚNIOR, Nelson. Princípios fundamentais – teoria geral dos recursos. 3ª edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1996, p. 381.

[9] LUCON, Paulo Henrique dos Santos. Eficácia das decisões e execução provisória. São Paulo: RT, 2000, p. 220.

[10] BUENO, Cassio Scarpinella. Execução provisória e antecipação da tutela. São Paulo: Saraiva, 1999, pp. 299-373.

[11] JORGE, Flávio Cheim. Teoria geral dos recursos cíveis. Rio de Janeiro: Forense, 2003, n. 11.6.1., pp. 286-288.

[12] LUCON, Paulo Henrique dos Santos. Eficácia das decisões e execução provisória. São Paulo: RT, 2000, p. 220.

[13] WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Os agravos no CPC brasileiro. 3ª edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000, n. 5.3., p. 229.

[14] BERMUDES, Sérgio. A reforma do Código de Processo Civil. 2ª edição. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 125.

[15] BUENO, Cassio Scarpinella. Execução provisória e antecipação da tutela. São Paulo: Saraiva, 1999, p. 314.

[16] A medida cautelar não se confunde com a ação cautelar. Com efeito: “A expressão cautelar tanto pode significar uma medida como uma ação. Sendo ação, irá formar um processo, com citação e desenvolvimento próprio, encerrando-se por meio de uma sentença. Em se tratando de uma medida, consistirá num incidente inserido no âmbito de qualquer processo, inclusive numa ação cautelar. Daí por que a liminar constitui uma medida cautelar dentro de uma ação cautelar. Então, a medida cautelar (vulgarmente denominada de liminar, como visto no item 8.1 supra) pode ser concedida num mandado de segurança, numa ação civil pública, em qualquer outra ação de conhecimento que se lhe permita, como pode ser concedida numa ação cautelar, preparatória ou incidental a uma ação de conhecimento ou a uma ação de execução. A medida cautelar identifica-se pela referibilidade que se faz ao resultado final da demanda principal, servindo-lhe de garantia, e não de instrumento de satisfação imediata do direito. A ação cautelar, que se refere sempre a um processo principal, serve de meio destinado a garantir efetividade ou utilidade ao provimento final de tal processo principal.” (CUNHA, Leonardo José Carneiro da. A fazenda pública em juízo. São Paulo: Dialética, 2003, n. 8.2., pp. 136-138).

[17] BUENO, Cassio Scarpinella. Liminar em mandado de segurança. 2ª edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1999, pp. 147-157.

[18] FERREIRA, William Santos. Tutela antecipada no âmbito recursal. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000, pp. 257-260.

[19] ZAVASCKI, Teori Albino. Antecipação da Tutela. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 120.

[20] FERREIRA, William Santos. Ob. cit., p. 243.

[21] NORTHFLEET, Ellen Gracie. “Suspensão de sentença e de liminar”. Revista de processo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 97:183-193, 2000, p. 183.

[22] Por isso que se lamenta a edição da anacrônica Súmula 622 do STF, incompatível com os desígnios de um Estado Democrático de Direito.

[23] ARENHART, Sérgio Cruz. “A nova postura do relator no julgamento dos recursos”. Revista de processo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 103:37-58, 2001, p. 54.

[24] O TRF da 1ª Região deu provimento ao Agravo de Instrumento nº 2001.01.00.003265-2/MT, rel. Des. Fed. Mário César Ribeiro, com a finalidade de, aplicando o art. 558 do CPC, dar efeito suspensivo a apelação em desapropriação. A ementa do referido julgado está disponível na Revista Dialética de Direito Processual nº 5 (agosto-2003), pp. 196-197.

[25] FRANÇOLIN, Wanessa de Cássia. “Competência para as ações cautelares depois de interposto recurso – art. 800, parágrafo único do CPC”. Inovações sobre o direito processual civil: tutelas de urgência. Arruda Alvim e Eduardo Arruda Alvim (coord.). Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 446.

[26] Ao comentar a regra contida no parágrafo único do art. 800 do CPC, assim esclarece Francisco Cavalcanti: “Com o novo texto, a competência dos tribunais foi bastante alargada nesse ponto, devendo-se entender estes como competentes para processar e julgar processos cautelares referentes a causas já em grau de recurso, não se limitando a hipótese a mero exercício do poder geral de cautela, previsto nos arts. 797 e 798 do CPC.” (Inovações no Processo Civil. Belo Horizonte: Del Rey, 1995, p. 142).

[27] CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Interesse de agir na ação declaratória. Curitiba: Juruá, 2002, n. 3.1.10., p. 101.

[28] LACERDA, Galeno. Comentários ao Código de Processo Civil. 5ª edição. Rio de Janeiro: Forense, 1993, Vol. VIII, Tomo I, n. 46, p. 162.

   No mesmo sentido: FRANÇOLIN, Wanessa de Cássia. “Competência para as ações cautelares depois de interposto recurso – art. 800, parágrafo único do CPC”. Inovações sobre o direito processual civil: tutelas de urgência. Arruda Alvim e Eduardo Arruda Alvim (coord.). Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 451.

[29] Nesse sentido, assim esclarecem Berenice S. N. Magri e Cassio Scarpinella Bueno: “Como se verá, com a tutela cautelar na nova sistemática recursal do Código de Processo Civil, divergência surgiu quanto à aplicação prática do instrumento processual adequado para imprimir efeito suspensivo a recurso que não o tem, bem como a possibilidade, em segundo grau, de concessão de liminar denegada pelo juízo monocrático. Inovou-se, profundamente, o sistema com a introdução de mecanismos da tutela antecipada, podendo-se imaginar três medidas para concessão de efeito suspensivo a recurso, que acabam, até mesmo, por se interpenetrar (mandado de segurança, agravo de instrumento e medida cautelar do parágrafo único do art. 800 do CPC), apresentando-se como medidas concorrentes, tendentes a uma só finalidade processual.” (Tutela cautelar no sistema recursal do Código de Processo Civil modificado. Revista de Processo, n.º 83, ano 21, julho-setembro/1996, p. 27).

[30] Eis o teor do seguinte julgado: “Processual Civil – Art. 523, § 4º e 558, parágrafo único do CPC – Interpretação – Admissibilidade de agravo de instrumento para conferir efeito suspensivo à apelação recebida somente no efeito devolutivo – Inadmissibilidade de ação cautelar – Recurso especial não conhecido. I – O art. 523, § 4º do CPC deve ser interpretado de forma a não frustrar a eficácia do processo. Dessa forma, contra decisão interlocutória que verse sobre os efeitos em que recebida a apelação, cabe o agravo de instrumento. II – Após a introdução do art. 558 e parágrafo único pela Lei nº 9.139/95, capaz de proporcionar ao recorrente a satisfação de sua pretensão de forma célere, a ação cautelar não tem lugar, até porque implicaria em aumento de prazo recursal, favorecendo uma das partes em detrimento da outra. III – Recurso especial não conhecido.” (Acórdão não unânime da 3ª Turma do STJ, REsp 263.824/CE, rel. Min. Waldemar Zveiter, rel. p/ acórdão Min. Carlos Alberto Menezes Direito, j. 19/03/2001, DJ de 18/06/2001, p. 151).

   No mesmo sentido: “PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR. APELAÇÃO EM SEDE DE MANDAMUS. EFEITO DEVOLUTIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CABIMENTO. O recurso adequado contra sentença proferida em writ é o de apelação e contra a decisão que define os efeitos do recebimento da apelação (suspensivo ou devolutivo) é o agravo de instrumento, não podendo ser substituído pela propositura de ação cautelar autônoma, máxime pela possibilidade de concessão imediata de efeito suspensivo ope judicis, pelo relator. Recurso especial improvido.” (Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ, REsp 423.214/SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/06/2002, DJ de 19/08/2002, p. 149)

[31] CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Interesse de agir na ação declaratória. Curitiba: Juruá, 2002, n. 3.1.10., p. 101.

[32] Idem. Ibidem.

[33] FABRÍCIO, Adroaldo Furtado. “Extinção do processo e mérito da causa”. Revista de Processo. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 58:7-33, 1990, p. 20.

[34] MARINONI, Luiz Guilherme. Efetividade do processo e tutela de urgência. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 1994, p. 13.

[35] CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Interesse de agir na ação declaratória. Curitiba: Juruá, 2003, n. 3.1.7., p. 94.

[36] Idem. Ibidem, pp. 95-96.

[37] CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil. Trad. de Paolo Capitanio. Campinas: Bookseller, 1998, vol. 3, p. 184.

    Na verdade, a preclusão extingue um ônus, e não uma faculdade, porquanto esta última ocorre quando se confere à parte a opção de escolha entre duas alternativas diversas, sendo indiferente a opção adotada, de sorte a ser irrelevante se a opção tiver sido uma ou outra. Por sua vez, quando se trata de ônus, a parte não tem opção na realização ou não do ato. Se não o realizar, haverá uma conseqüência que lhe põe em condição de desvantagem no processo, não podendo mais praticar o ato, razão pela qual a preclusão atinge um ônus, e não uma faculdade. Esta última foi utilizada, largamente, por Chiovenda, na definição do conceito da preclusão, num sentido, ao que parece, equivocado.

[38] CAVALCANTE, Mantovanni Colares. “Os novos rumos da jurisdição cautelar”. Revista Dialética de Direito Processual. São Paulo: Dialética, abril/2003, 1:127-145, p. 128.

[39] Idem. Ibidem, p. 130.

[40] O entendimento do STF sobre o assunto restou compendiado na Súmula 634 de sua jurisprudência, que contém o seguinte teor: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem”.

[41] Essa, aliás, é a redação conferida à Súmula 635 do STF: “Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade”.

[42] Dentre tantos precedentes veja-se, a título exemplificativo, o seguinte: Acórdão unânime da 5ª Turma do STJ, AGRMC 6.225/MG, rel. Min. Jorge Scartezzini, j. 26/08/2003, DJ de 13/10/2003, p. 374.

   No mesmo sentido: Acórdão unânime da 6ª Turma do STJ, AGRMC 6.403/RJ, rel. Min. Hamilton Carvalhido, j. 26/08/2003, DJ de 22/09/2003, p. 384.

[43] Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ, MC 4.014/BA, rel. Min. Castro Filho, j. 21/08/2001, DJ de 05/11/2001, p. 106.

[44] Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ, AGRMC 5.399/SP, rel. Min. Nancy Andrigui, j. 19/09/2002, DJ de 04/11/2002, p. 193.

[45] Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ, MC 444/PR, rel. Min. Humberto Gomes de Barros, j. 19/08/1996, DJ de 30/09/1996, p. 36591; acórdão não unânime da 1ª Turma do STJ, MC 1.187/SP, rel. Min. José Delgado, j. 04/06/1998, DJ de 17/08/1998, p. 00022.

[46] Acórdão não unânime da 2ª Turma do STJ, AGRMC 750/SP, rel. Min. Adhemar Maciel, j. 22/05/1997, DJ de 04/08/1997, p. 34706. Ainda no mesmo sentido: Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ, MC 1.316/PA, rel. Min. José Delgado, j. 14/12/1999, DJ de 28/02/2000, p. 39.

[47] Acórdão não unânime da 2ª Turma do STJ, AGRMC 2.684/MA, rel. Min. Franciulli Netto, j. 20/06/2000, DJ de 15/04/2002, p. 186.

[48] Acórdão não unânime da 2ª Turma do STJ, AGRRMC 5.352/RJ, rel. Min. Eliana Calmon, j. 26/11/2002, DJ de 08/09/2003, p. 260.

[49] Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ, AGRMC/MG, rel. Min. Francisco Falcão, j. 20/05/2003, DJ de 18/08/2003, p. 154.

[50] O periculum in mora da cautelar que objetiva agregar efeito suspensivo a recurso especial ou extraordinário está relacionado com a utilidade final do próprio recurso. Se restar evidente que de nada valerá para a parte o provimento do seu apelo – cujo êxito aparenta ser certo – por exsurgir uma situação de risco imediato, deve-se, então, emprestar, desde logo, efeito suspensivo ao recurso especial ou extraordinário, conferindo-lhe eficácia e utilidade final.

[51] CAVALCANTE, Mantovanni Colares. Recursos especial e extraordinário. São Paulo: Dialética, 2003, n. 4.1.3., pp. 134-135.

[52] Daí as procedentes críticas desferidas por WAMBIER, Luiz Rodrigues. “Do manejo da tutela cautelar para obtenção de efeito suspensivo no recurso especial e no recurso extraordinário”. Aspectos polêmicos e atuais do recurso especial e do recurso extraordinário. Teresa Arruda Alvim Wambier (coord.). São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1997, pp. 367-386.

[53] Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ, AGRMC 5.868/MG, rel. Min. Nancy Andrigui, j. 20/02/2003, DJ de 24/03/2003, p. 212. No mesmo sentido, tendo, inclusive, indeferido a cautelar por já verificar a intempestividade do RESP: Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ, AGRMC 5.025/SP, rel. Min. Castro Filho, j. 25/11/2002, DJ de 19/12/2002, p. 360.

[54] A propósito, vale conferir: WAMBIER, Luiz Rodrigues. “Do manejo da tutela cautelar para obtenção de efeito suspensivo no recurso especial e no recurso extraordinário”. Aspectos polêmicos e atuais do recurso especial e do recurso extraordinário. Teresa Arruda Alvim Wambier (coord.). São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1997, pp. 358-386. Também vale conferir: NEVES, Fernando C. Queiroz e FLEURY, José Theophilo. “Medida cautelar em recurso extraordinário, recurso especial e recurso ordinário, em matéria cível”. Inovações sobre o direito processual civil: tutelas de urgência. Arruda Alvim e Eduardo Arruda Alvim (coords.). Rio de Janeiro: Forense, 2003, pp. 131-156.

[55] Assim já vem decidindo o STJ, sendo oportuno mencionar alguns acórdãos do extenso catálogo de decisões proferidas no mesmo sentido: “PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. ATAQUE A ATO JUDICIAL RECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. DISCIPLINA APÓS A LEI Nº 9.139/95. RECURSO DESPROVIDO. – Após o advento da Lei nº 9.139/95, que prevê efeito suspensivo ao agravo dele desprovido (art. 558, CPC), o mandado de segurança voltou ao seu leito normal, sendo inadmissível, por impossibilidade jurídica do pedido (art. 5º, II, da Lei nº 1.533/51), sua impetração contra ato judicial recorrível.” (Acórdão unânime da 4ª Turma do STJ, ROMS 12.017/DF, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, j. 19/08/2003, DJ de 29/09/2003, p. 252)

   No mesmo sentido: “RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ATO JUDICIAL RECORRÍVEL. DESCABIMENTO DO MANDAMUS. SÚMULA 267/STF. O ato judicial impetrado é de natureza interlocutória, passível de impugnação por meio de agravo de instrumento, com a possibilidade de que lhe fosse atribuído efeito suspensivo, nos termos do artigo 558 do Código de Processo Civil, com redação determinada pela Lei nº 9.139/95, não se inserindo, pois, a pretensão deduzida entre aquelas passíveis de amparo pela estreita via do mandamus, ante o óbice da Súmula 267 do colendo Supremo Tribunal Federal. Recurso ordinário a que se nega provimento.” (Acórdão unânime da 3ª Turma do STJ, ROMS 15.409/SP, rel. Min. Castro Filho, j. 23/09/2003, DJ de 13/10/2003, p. 358)

   Ainda no mesmo sentido: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. INTERPOSIÇÃO DE MANDAMUS NO TRIBUNAL A QUO PARA DISCUTIR PARTE DESFAVORÁVEL DA SENTENÇA. NÃO IMPUGNAÇÃO POR RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. SÚMULA 267/STF. PRECEDENTES. 1. Mandado de segurança interposto no Tribunal a quo para discutir parte desfavorável de sentença proferida em outro writ. 2. Como regra geral, não se deve admitir o mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso, visto que a ação cautelar e agora o pedido de efeito suspensivo, este previsto tanto para o agravo de instrumento (arts. 527, II, e 558, CPC), quanto para a apelação quando desprovida do referido efeito (arts. 520 e 558, parágrafo único, CPC) revelam-se mais adequados para tutelar a situação. O mandamus não pode substituir o recurso adequado e, se este foi interposto, não pode justificar o exame da pretensão nela manifestada em sede diversa daquela recursal. 3. A despeito do que estabelece a Súmula nº 267/STF e de, tecnicamente, ser mais adequada a utilização da ação cautelar, a jurisprudência passou a admitir, sempre que houvesse perigo de dano de difícil reparação, o cabimento de mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso sem efeito suspensivo, em regra, apenas, para o fim de atribuir efeito suspensivo ao recurso dele desprovido. 4. Entretanto, desde o advento da Lei nº 9.139, de 30/11/95, que deu nova redação ao art. 558, do CPC, e, nos casos em que a execução da providência judicial questionada possa provocar lesão grave e de difícil reparação, permitiu-se ao relator atribuir efeito suspensivo tanto ao recurso de agravo de instrumento, como ao de apelação dele desprovido, não se justifica mais o referido entendimento e, portanto, o mandado de segurança não deve ser admitido em hipóteses como a dos autos. 5. O entendimento jurisprudencial pacífico desta Corte é no sentido de admitir o mandado de segurança para conferir efeito suspensivo a recurso que não o tem, desde que teratológica a decisão impugnada ou se demonstre a presença concomitante do fumus boni iuris e do periculum in mora, inocorrentes no presente caso. 6. A medida recursal apropriada seria, in casu, o recurso de apelação com vistas a discutir a aplicabilidade do art. 170-A do CTN, não se cuidando a hipótese, destarte, de direito líquido e certo amparável pela via do mandamus. 7. Aplicação da Súmula nº 267/STF: ‘não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correção’. 8. Recurso não provido.” (Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ, ROMS 16.405/SP, rel. Min. José Delgado, j. 07/10/2003, DJ de 17/11/2003, p. 202).

[56] WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. “O mandado de segurança contra ato judicial”. Revista de Processo. 107:223-239. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, julho-setembro/2002, pp. 228-229.

[57] Considerando que o STF, por sua Súmula 622, vem entendendo não caber agravo regimental da decisão do relator que, em mandado de segurança, nega ou concede a liminar, é curial aceitar que desse despacho poderá ser impetrado um outro mandado de segurança, com o objetivo de ver, respectivamente, concedida ou cassada a liminar.

[58] O prazo para o recurso de terceiro deve ter o mesmo termo inicial do prazo para o recurso das partes. Em outras palavras, “o prazo para o terceiro é, em princípio, o mesmo das partes e se inicia no mesmo momento” (DIDIER JR., Fredie. Recurso de terceiro: juízo de admissibilidade. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, p. 169).

[59] SALLES, Carlos Alberto de. “Mandado de segurança contra atos judiciais: as Súmulas 267 e 268 do STF revisitadas”. Aspectos polêmicos e atuais do mandado de segurança: 51 anos depois. Cássio Scarpinella Bueno, Eduardo Arruda Alvim e Teresa Arruda Alvim Wambier (coords.). São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, pp. 137-138.

[60] Acórdão unânime da 1ª Turma do STJ, ROMS 7.246/RJ, rel. Min. Humberto Gomes de Barros, j. 06/09/1996, DJ de 21/10/1996, p. 40.201.

[61] ORIONE NETO, Luiz. “Panorama atual do mandado de segurança contra ato judicial”. Aspectos polêmicos e atuais do mandado de segurança: 51 anos depois. Cássio Scarpinella Bueno, Eduardo Arruda Alvim e Teresa Arruda Alvim Wambier (coords.). São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, pp. 571-577.